05-08-2010 Os investimentos dos portugueses em PPR está a atingir montantes recordes.
Portugueses aplicam 10 milhões de euros por dia em PPR : Os investimentos dos portugueses em PPR está a atingir montantes recordes.
A subscrição de planos de poupança reforma está a bater recordes e a beneficiar com a baixa rendibilidade dos depósitos e certificados de aforro.
Nunca os portugueses aplicaram tanto dinheiro em Planos Poupança Reforma (PPR) como este ano. Desde Janeiro até ao final de Junho, os investimentos feitos nos PPR, sob a forma de seguro cresceram 37%, face ao período homólogo. No total, foram investidos 1,7 mil milhões de euros em seis meses. É o valor mais elevado de sempre. Ou seja: por dia os portugueses colocaram perto de 10 milhões de euros nestas aplicações.
Na verdade, os PPR são uma das poucas aplicações financeiras conservadoras que está a conseguir cativar o interesse dos investidores em 2010. Recorde-se que os últimos números do boletim estatístico do Banco de Portugal mostram que as aplicações feitas em novos depósitos este ano caíram 40% face ao mesmo período do ano passado. A mesma tendência é verificada com os certificados de aforro. Desde o início do ano até ao final de Maio, o saldo líquido dos certificados é negativo de 348 milhões de euros.
Também os fundos de investimento mais conservadores estão a registar uma fuga dos investidores. Os fundos de tesouraria sofreram resgates nos primeiros seis meses do ano de mais de mil milhões de euros. O mesmo sucede com os fundos de capital garantido, que estão a ser penalizados. Os números da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento Pensões e Património (APFIPP) mostram que o saldo líquido nesta categoria de fundos atingiu cerca de 320 milhões de euros negativos.
O interesse que os investidores portugueses têm demonstrado pelos PPR pode ter várias explicações. Por um lado, é um reflexo da maior preocupação sobre a necessidade de constituir um complemento de poupança com vista à reforma. Assim, uma maior consciencialização dos portugueses de que as pensões pagas pela Segurança Social não serão suficientes para manter o nível de vida na velhice é um factor impulsionador das subscrições. Mas não é o único.
O facto das aplicações financeiras mais conservadoras estarem a pagar juros muito baixos está a levar os investidores a procurarem soluções mais atractivas. Esta é a opinião de Diogo Serras Lopes, director de investimentos do Banco Best: "É verdade que as taxas de juro actuais se mantêm em níveis historicamente baixos, relegando em termos de atractividade soluções alternativas de poupança, como os depósitos a prazo ou os certificados de aforro", afirma o responsável. Também Pedro Seixas Vale, presidente da Associação Portuguesa de Seguradores (APS) não descarta a possibilidade dos PPR estarem a beneficiar da fuga dos investidores de outros produtos. "Não há dados seguros indicando uma transferência com significado de poupanças aplicadas noutros produtos financeiros para PPR. Mas também não se exclui essa hipótese", refere.
Na verdade, e segundo os números do Instituto de Seguros de Portugal (ISP), os PPR sob a forma de seguro e em comercialização renderam em média 2,52% no ano passado. Mas houve quem superasse esta média. Os números do ISP mostram que houve pelos menos oito PPR que em 2009 conseguiram dar um retorno superior a 3,5%. Um valor que contrasta com a remuneração tímida de 1,44% que a banca está a oferecer pelos depósitos a particulares e com os ganhos modestos de 0,873% previstos para quem subscrevesse certificados de aforro no mês de Julho.
Diogo Serras Lopes acredita que há ainda um terceiro factor que ajuda a explicar a subida das subscrições de PPR: a fiscalidade. "A componente de benefícios fiscais em sede de IRS é também um factor importante no sucesso de colocação destes produtos, permitindo uma poupança que pode ser significativa através da redução da carga fiscal", afirma o director de investimentos do banco Best.
No entanto, Pedro Seixas Vale, presidente da Associação Portuguesa de Seguradores (APS), desvaloriza o peso dos benefícios fiscais como motor das subscrições destes produtos. "A atractividade dos PPR é bastante significativa dadas as suas características intrínsecas (segurança e rentabilidade), sendo cada vez menos dependente de condições extrínsecas, como os benefícios fiscais", afirma o responsável.
Fonte: Diário Económico Online
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